terça-feira, novembro 15, 2016

Caixa de costura...


Venho costurando minha vida com linhas de saudade.

Procuro equilibrar-lhes a cor para que o resultado final não seja triste.

Por vezes, é o cinza que insiste; por vezes, impera o marrom.

Ainda bem que tem saudade bonita; mudo o tom, amarro fitas, busco a outra ponta do novelo; intercalo a trama em amarelo.

A saudade é assim mesmo, tecelã do tempo.

Quando menos se espera, arremata o momento,leva embora, deixa a porta encostada, o cadarço de fora, e nunca avisa a hora de voltar.

Ainda hei de costurar com verde florescente e, se a saudade chegar autoritariamente, vai se sentir enfraquecida. Enquanto procuro a cor, vou costurando a vida, sem saber qual vai ser o resultado.

Caso ele não fique combinado, dou um nó, encosto agulha, guardo a linha, que essa culpa roxa não é minha.

É uma artimanha branca do passado.

Flora Figueiredo

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