quarta-feira, outubro 05, 2016

O mal, o bem e o mais além


Meu processo recente de destralhamento.
Por ter uma personalidade afinizada com mudanças, estou sempre em busca de recursos internos que possibilitem repaginar a mim, minha casa, meu trabalho, minhas relações afetivas, tudo que está à minha volta, enfim.

Contudo, mesmo sendo uma pessoa falante sobre o assunto "destralhamento" e seus benefícios, havia em mim uma preguiça pessoal de rever minhas coisas, meus pertences.
Talvez porque há oito meses tenho me voltado a rever meus relacionamentos com as pessoas (especificamente) e reposicionando-as em minha vida, e isso me tomou tempo.

Tempo interno e literal, aquele do relógio.
Mas, o fato é que há um momento em que nada, nada mesmo, pode esperar mais.

Da mesma maneira que nosso organismo pede nutriente, a casa pede atenção.

Ela começa a alarmar.

As plantas vão ficando feiosas, as louças vão quebrando, os papéis vão se acumulando, os eletrodomésticos se danificando e tudo ficando meio estranho até que você se dê conta de que há algo de errado: a falta de atenção com a casa está recaindo em falta de acolhimento para você e sua família.

Você não se sente, como eu digo, "vivendo bonito".
Para mim, mais que uma gaveta arrumada ela precisa estar bonita ao abri-la.
Sei que muitas pessoas me chamarão de exagerada, mas desde quando viver com beleza e se enfeitar de afeto e cuidados é exagerar?

Não é e jamais será.

Desta vez, no entanto, eu quis ir mais longe. Mais além. Quis um outro olhar.
Alguém que viesse de fora, sem os vícios da minha estima por alguns objetos, sem a angústia prévia do que fazer e como, alguém estranho à casa, porém, absolutamente interessado por ela.

Chamei para esse processo que nomeei de "ressignificação" uma organizadora, alguém que me apoiasse, auxiliasse, encorajasse. Mergulhei profundamente nesse processo. Vi tudo. Disse e repito: tudo. Tripito: tudo! Revi cada bibelô. Cada plantinha. Cada CD, DVD, álbum de fotografia, roupa, calçado, bolsa, móveis, livros, quadros, espelhos, cabide, lençol, copo, potes plásticos e até ímãs de geladeira.

Simplesmente o "tudo" foi tudo mesmo. Nada escapou.

No primeiro dia fiquei tão agradecida a essa força que brotou com a ajuda da profissional que não dormi. Fiquei 18 horas destralhando.

Bem, dentre todos os itens acima citados e um monte de outros que sequer posso mensurar foram aproximadamente quatrocentos e trinta itens doados. Isso mesmo: 430!

No meu caso foram para doação mesmo, pois, coisas quebradas e fora de contexto já são eliminadas ao darem defeito.

Não postergo eliminação e isso facilitou muito. Também facilitou ser organizadíssima.

Mas, isso não é mérito incomum.

Eu aposto na organização como estilo de vida.

Depois da eliminação, resolvemos repaginar a casa.

Mudamos o layout. Mudar a posição dos objetos pode significar mudar sua visão de vida em casa.

De viver em casa. De se ver em casa. De perceber a casa. De se perceber em casa. De se perceber na casa.

Desse processo saiu um álbum bem feito e legendado, de modo que eu pudesse democratizar a informação e estimular mais e mais amigas.

Faltava apenas chamar um moço "dedo verde" para alimentar as plantas que ficaram.

Feito! Terra trocada, adubo, afeto, tudo revisto, inclusive a terra de dentro dos vasos e as podas, replantios e nutrientes. Ok. Feito!

Eu queria ressignificar. Fiz mais que isso: me signifiquei!

Cláudia Dornelles

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...