quinta-feira, junho 14, 2012

O pinhão é a estrela de inverno

No Sul e no Sudeste do país, é tradição.

Festa junina e julina que se preze, além de quadrilha, quentão, pé de moleque e pipoca, precisa ter pinhão.

Essa semente comestível da araucária – árvore que se espalha pelas montanhas dessas duas regiões brasileiras, especialmente dos estados do Paraná e Santa Catarina – cai do pé entre maio e julho e, por isso, é presença garantida nas mesas festivas do período. O melhor é que, por seu alto valor calórico (100 gramas de pinhão cozido têm 195 calorias), o alimento é perfeito para esquentar os ânimos no friozinho típico dessa época do ano.

O pinhão é também altamente nutritivo, e isso já se sabe há tempos. No século 19, o historiador inglês Thomas Bigg-Wither registrou o quanto a semente da araucária era importante na alimentação dos índios do Paraná, que “só se alimentavam dela durante semanas seguidas”. A “dieta do pinhão” dava certo porque ele é muito rico em proteínas (10,71 gramas em cada 100 gramas) e ainda contém vitaminas do complexo B, potássio, cálcio e fósforo.

Mas o protagonista da alimentação indígena chegou a correr risco de extinção. Tanto que hoje conta comleis que regulamentam seu uso comercial e o protegem. Mais comumente, o pinhão é consumido cozido. São necessários 40 minutos na panela de pressão para deixar sua polpa no ponto certo. Depois, é só tirar a casca dura e saboreá-lo.

Come-se pinhão também assado e até cru, à moda dos esquilos e pássaros silvestres. “Ao natural, ele é ainda mais rico em nutrientes, embora não seja tão prático e versátil”, diz a nutricionista Vanessa Suzuki, de São Paulo.

É cozido ou assado que ele vira estrela das culinárias catarinense e paranaense e aparece em pratos típicos como o Entrevero, uma receita surgida com os tropeiros, na qual o pinhão é misturado combacon e pimentão.

CASA E JARDIM
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...